As Filhas do Sacerdote

Esse é um conto baseado nas seguintes referências: 1 Crônicas 25:1, 4-6  e Salmos 88. Conta a história de Hemã, levita, vidente do rei, separado para louvar a Deus no lugar da adoração em Jerusalém; tinha 14 filhos e 3 filhas, todos envolvidos com o louvor.

49Hemã estava recolhido em seu quarto, suas filhas sabiam que mais uma vez estava banhado em lágrimas e muito provável passara a noite em claro. Elas se comunicaram pelo olhar, uma tratou de pegar seu instrumento, outra pegou um pano limpo com água morna e a mais velha delas se postou à porta.

— Pai…

Elas ouviram um fungar e a voz rouca e baixa no fundo do aposento:

— Entre, minha filha.

Silenciosamente uma entrou após a outra. Terminada a lavagem do rosto, Hemã sentou-se na beira da cama com o olhar distante, as bolsas escuras ao redor dos olhos denunciava o sofrimento de seus dias. Muito suavemente o som de cordas invadiu a alma deles.

— Pai, nossa porção é o SENHOR.

Ele pareceu não ouvir, mas as Palavras ecoavam dentro dele. Mui vagarosamente assentiu e disse:

— Só temos a Ele.

Em seu tom uma de suas filhas começou a cantar. Ele reconheceu a letra, era a oração que repetia vezes sem contas. Aquela era a canção de sua vida.

Ele a acompanhou. Formavam dois coros acompanhados com o instrumento de cordas.

Ao fim da canção, Hemã se pôs de pé,  era o dia de se apresentar na Casa do SENHOR. Ele trocou suas vestes e ladeado por suas filhas chegou ao lugar da adoração.

O instrumento de cordas soou melancolicamente e ele cantou:

♪ Ó Senhor, Deus que me salva, a ti clamo dia e noite.

Que a minha oração chegue diante de ti
inclina os teus ouvidos ao meu clamor.

Tenho sofrido tanto que a minha vida está à beira da sepultura!

Sou contado entre os que descem à cova
sou como um homem que já não tem forças.

Fui colocado junto aos mortos, sou como os cadáveres que jazem no túmulo, dos quais já não te lembras, pois foram tirados de tua mão.

Puseste-me na cova mais profunda, na escuridão das profundezas.

Tua ira pesa sobre mim
com todas as tuas ondas me afligiste. ♪

Uma pausa e o som das cordas soavam num solo profundo. Os adoradores presentes suspiraram, a canção era a oração que tentavam fazer a Deus.

 ♪ Afastaste de mim os meus melhores amigos e me tornaste repugnante para eles.

Estou como um preso que não pode fugir
minhas vistas já estão fracas de tristeza.

A ti, Senhor, clamo cada dia
a ti ergo as minhas mãos.

Acaso mostras as tuas maravilhas aos mortos?
Acaso os mortos se levantam e te louvam? ♪

O som do instrumento tornou a envolver a alma dos presentes. Uma pessoa que acabava de chegar perguntou sussurrando:

— Esse não é Hemã? Já recebeu a benção?

Mais baixo ainda seu companheiro respondeu:

— Sim, é Hemã. Não, ainda não, mas ele continua a pedir.

♪ Mas eu, Senhor, a ti clamo por socorro
já de manhã a minha oração chega à tua presença.

Por que, Senhor, me rejeitas e escondes de mim o teu rosto?

Desde moço tenho sofrido e ando perto da morte
os teus terrores levaram-me ao desespero.

Sobre mim se abateu a tua ira
os pavores que me causas me destruíram.

Cercam-me o dia todo como uma inundação
envolvem-me por completo.

Tiraste de mim os meus amigos e os meus companheiros
as trevas são a minha única companhia. ♪

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1 comentário

  1. Rute · abril 14, 2015

    Profundo! Hemã é um exemplo a seguirmos, seja qual for as circunstancias que estivermos passando, devemos confiar n’Ele tão somente. Parabéns Lis pelo conto inspirador.

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