Andarilho para o Eterno

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Andarilho

“E ali haverá um alto caminho, um caminho que se chamará O Caminho Santo;
o imundo não passará por ele, mas será para o povo de Deus;
os caminhantes, até mesmo os loucos, não errarão.” Isaías 35:8

Apresentação

O Andarilho, sabedor da transitoriedade da vida, saiu pelo mundo com sua bagagem às costas. Aos poucos, percebia das regras das estações, dos dias, das noites, dos homens e dos bichos. Aprendia que mesmo andando solitário, sem rumo, estava envolvido com algo grande. Podia não ter valor para os olhos dos passantes, podia não dar a solução de melhora para o mundo, entretanto, via a olhos cansados a igualdade e a mesma condição em que ele e todos os outros se encontravam, não importasse como viviam.

E caminhava. Queria descobrir o caminho certo, pois até para isso havia de ter alguma regra; igual quando pequeno aprendera a andar, um pé após o outro. Caminhos diferentes. Uma hora: dia. Outra hora: noite. Sono e fome. Sede e sonho. Chuva, olhos e cores. Movimento sem descanso. Regras. Impostas por quem? O Andarilho se perguntava. E caminhando conseguia desmatar o embaraço que lhe ia à alma.

O Andarilho caminhava para frente, mas parecia que andava em círculos. Via sempre as mesmas coisas. Havia muita tristeza nas pessoas correndo para todos os lados, procurando felicidade, um sentido para viver. A morte não poderia ser o fim. A vida destoava do breve, era um ciclo que apontava sempre para a continuidade.

Seria o além? Além dos mares e oceanos, dos caminhos e do horizonte. O além do céu e universo. Onde estava o detentor de todo o conhecimento das coisas? Sabia, lá no fundo ele sabia. Restava uma vaga lembrança. Quem mesmo? Onde?

Na vida, tanta gente passou e se foi. Ele andava e deixava para trás. Queria achar que era solitário. Mas, tudo se tornava paradoxal. O que não era, passava a ser. E mudava. Paisagens, campos, prados, cerrados, montes, florestas… A natureza sem fim. Eram como ele. Sim, era ele. O chão. O pó.

Andava, não fugia. Percorria a si mesmo. Procurava se entender, se conhecer. E uma pergunta insistente sibilava: quem seria ELE? Ainda havia muito que andar. Um dia iria achá-lo.

O sol a pino enrugava ainda mais o rosto magro. O som da natureza era música aos ouvidos. Estava suave agora. Um vento morno, o sono principiava. As pálpebras pesavam. O andarilho sentou, ajeitou sua bagagem para servir de travesseiro. Iria dormir até não sentir mais sono algum. Seus pensamentos começavam a se confundir. Suas próprias ideias e lembranças levitavam sobre sua cabeça. Voavam alto. Formavam histórias novas. Seria sonho ou pensamento? Abriu os olhos. Começara a sonhar.

Tomava mais uma estrada, num mundo do inconsciente. Foi à infância. Seus pais, jardim com cerca, quintal, vidros na janela, brinquedos, fogão à lenha, aquele perfume, porta-retratos, caminho para escola, maçã para professora, colegas, livros, leitura, e o espelho da diretoria. A diretora dispunha de um espelho defronte à carteira dos desobedientes. Depois das primeiras duas horas as brincadeiras cessavam e os questionamentos começavam. E lá estava o Andarilho. E o vazio de respostas continuava. Engolia suas perguntas junto com a saliva para o recôndito mais escuro dele mesmo.

O Andarilho acordou agitado, aquelas lembranças doíam. Nunca saíra daquele nível. Sua vida diante de si: desde sempre a mesma bagagem inútil de questionamentos sem respostas. As pessoas tentavam ignorar, ele agora carregava à vista de todos. E os outros corriam atrás do vento, traçavam metas sem sentido, davam significado ao nada. Não encontravam o sentido da vida, muito menos conseguiam desfrutar dela.

De olhos abertos, o céu azul sobre ele. De olhos fechados, o manto negro. Escuridão palpável, ele prosseguia no vagar, as costas vergavam segurando o peso do mundo. A vida tinha gosto e no presente momento estava azeda.

O Aventureiro

Raridade achar parceiro de caminhada, mas tinha certeza que aquilo eram pegadas de um humano. Algum fugitivo do itinerário, ou perdido? Mais adiante se deparou com um homem de mesma altura e peso, trajando roupas limpas e postura acostumada às trilhas.

— Está perdido, senhor? – Perguntaram ao mesmo tempo.

— Não, senhor.

O aventureiro estava sentado num tronco de árvore, comendo os alimentos que desembrulhara cuidadosamente.

— É servido?

Aceitou de boa vontade e comeu alguns gramas. Aquele Aventureiro falava demais, seus ouvidos estavam zunindo. Contou-lhe toda a vida. Estava pasmo de que houvesse pessoas que conversassem tão livremente de assuntos tão pessoais e tudo de uma só vez. O Andarilho não inspirava confiança, muito menos teria bons conselhos. Assentia sempre, às vezes o pensamento longe. Quisesse ou não, sempre guardava alguma informação. Mas, pelo menos cuidava do próprio caminho.

“Que faço de minha vidinha egoísta, então? Estou desgastando-a em caminhadas infindas. Desde quando homem cria raízes igual planta? O que fazia aquelas plantas brotarem da união de pozinhos? Terra. Quem o pusera ali? Onde estaria o Criador? Escondido atrás da cortina celeste? Não, eu quem andei me escondendo em meio a tantos matagais da vida. A severidade do castigo nos separou. Sinto que sou devedor.”

Todo homem caminha só. Aparenta-se com ideias. E dá conta de cada andança. Ele foi embora deixando o Aventureiro ainda falando.

A Viajante

Avistou um pedaço de madeira. Era pesado, mas serviria para entreabrir o matagal. E o fazia selvagemente. Logo se cansou. Para quê tanta impulsividade? Não tinha pressa. Quem o visse de longe, o compararia a uma semente, um embrião tentando nascer via horizonte. Na mesma medida que seus pensamentos faziam barulho em sua cabeça, o matagal se agigantava. Parado, jogou o pedaço de madeira para um lado. Caiu por cima da bagagem.

Repentinamente, um metal cortou à sua frente. A luz forte do sol brilhou cegando seus olhos. Que era aquilo?

Diante dele surgiu uma mulher. Parecia alta, mas quando se levantou percebeu que era mais baixa que ele. Ela era de meia idade e forte, se apresentava como uma viajante e carregava uma espécie de foice leve. A bagagem se encaixava às costas como se fizesse parte do corpo. Caminharam. Ela caminhava com facilidade por cima de pedras, raízes e terrenos escorregadios. O Andarilho ficou curioso a seu respeito. Por que estava sozinha?

Já estavam caminhando juntos a um bom tempo. A foice abria uma trilha limpa. Quando estava a ponto de perguntar a seu respeito, ela dispara:

— Gosta de flores, Andarilho?

— Não, senhora.

— Elas são perfumadas e encantam o caminho.

— São mais uma lembrança amarga de que a vida é tão fugaz quanto elas. Desabrocham belas e logo murcham feiamente.

— Para mim elas servem como setas indicando o Caminho. Observe que ao olharmos para baixo elas nos apontam o céu!

O Andarilho não seguia flores, nem sabia andar para o céu.

Um sorriso despontou de seus lábios ressecados. Nas profundezas de seu âmago tinha esperança da existência de um caminho que o levaria ao descanso. Entretanto, agora, por mais que caminhasse reto, a estrada curvava na linha do infinito.

A viajante continuava ladeando.

— A senhora anda a passo de homem.

— Estava acostumada a andar com meu esposo. Ele faleceu e agora estou na incumbência da foice. Ela serve para colher. Nem sempre estive com ela. Depois que ele faleceu, eu não conseguia mais viajar. Eu me assentei numa pedra olhando o horizonte.

O Andarilho a ouvia calado.

— Estava sentada numa grande pedra olhando o horizonte. O sol encoberto por nuvens pousava nos montes distantes. As sombras declinavam lentamente. Um vento frio fazia a vegetação tomar a mesma direção. A noite foi caindo… Quando dei por mim, minha vida declinava junto às sombras.

Espasmos existenciais. Toda a paisagem estava desenhada na mente do Andarilho. Ele já estivera lá. Ela continuava:

— Com a mente iluminada, qualquer noite é clara o suficiente para se enxergar o Caminho. Toda essa imensidão tentando mostrar o Criador! Eu não poderia permanecer na letargia. Levantei por Ele e para Ele: o Caminho. Meus pés são formosos porque anuncio boas novas. Caminho n’Ele.

— A senhora caminha em quem?

— Caminho. Nunca ouviu falar? Nunca caminhou n’Ele?

— Eu só ando… Ando a passos largos, na rapidez de meu caminhar vou atropelando pessoas. Eu tropeço. Fico ferido. Resolvi que para chegar n’algum lugar, ou correndo ou andando, devo prosseguir. Sei que andando aprendo a ser um Andarilho melhor.

— Essas suas veredas não te levam a destino algum. Você precisa conhecer o Alvo.

— Senhora, minhas veredas têm destino certo: a morte. Não é ela quem nos visita em meio às nossas andanças?

A Viajante percebeu um vislumbre de perplexidade no Andarilho:

— Andarilho, você sabia que existe a Vida Eterna? Você só poderá obtê-la se encontrar e caminhar no Caminho. Caso contrário cairá no abismo da morte eterna. Perdido em suas veredas, há esse peso às costas, sem razão de existir, não há descanso, muito menos recompensa às obras. Quem anda no Caminho anda no estreito, mas com fardo leve, e há descanso para a alma.

Ele ficou pensativo. Decerto, essa mudança lhe faria bem. Desejar o novo… E o homem é adaptável. Havia trilhado caminhos à procura de clareza e melhoria. Mas, só conseguia transgredir, não às Leis, mas ao desejo, que geralmente não fluía conforme o imaginado. E tinha de andar mais um pouco, de novo e sempre. Voltava ao ponto da irreconciliabilidade. Fazia da mudança, rotina. Tudo para conseguir chegar… Mas, se tornara um fugitivo com o coração esmigalhado pela estrada. Terminara um farrapo de gente.

A Decisão

O momento crucial da decisão chegara. E o Andarilho estava diante de uma bifurcação na estrada. Ele não se incomodava de andar com a Viajante, afinal, ela o ajudara a chegar ali. Eles poderiam se separar agora ou não. Ele queria o fardo suave e o descanso para a alma.

Num ímpeto, virou-se para a Viajante e, num repente de desejo incontido, perguntou:

— Devo ter esperança?

— Esperança, fé e Amor. A partir do momento que ouviu falar do Caminho, sua fé foi ativada. Se você, crendo, andar no Caminho, como único meio para chegar à Vida eterna, o próprio Amor preencherá a sua vida.

Ele vislumbrava intensa luz. Poderia se esconder para sempre ou se expor por inteiro. O futuro é segredo. Iria arriscar. Num giro de cento e oitenta graus sobre si mesmo, o olhar do andarilho foi direcionado ao alvo.

Ele a seguiu.

Com a nova escolha, sentiu o ar invadindo seus pulmões, recomeçara a respirar. O dia passou a ter um novo brilho. Um caminho vertical se abria diante dele. Agora, não sentia obrigação em andar pelas veredas que havia. O novo Caminho era convidativo. Nunca andara para cima, só tivera lampejos. Seus ombros enrijecidos e cansados penderam um pouco para trás deixando cair a bagagem, seus joelhos arquearam ao chão, seus olhos nas nuvens como quem tinha uma visão. Confessou simplesmente:

— Senhor Dono de Tudo que há, me ajude a caminhar para cima. Estou cansado de andar sem chegar a canto nenhum.

Lágrimas eram rapidamente absorvidas pela pele seca do rosto, como chuva numa terra sulcada. A Viajante o fez entender que fora reconciliado:

— Só quem anda no Caminho tem direito à Herança divina. E durante a caminhada desfruta do fruto da paz, recebe tesouros pela graça. Enquanto caminha receberá a porção certa de bênçãos, mas com perseguições. Estamos lutando contra a gravidade do pecado. O descanso pleno só no Céu. No devido tempo você será recompensado por todo trabalho e fidelidade. Confia e obedece.

— Eu encontrei o maior tesouro que há. Entreguei tudo que tinha por ele: os resquícios que sobrou da minha vida. Enfrentei sol escaldante, frio cortante, vento e mata fechada. Cheguei a ver a morte de perto várias vezes. Hoje, um errante ganhou o propósito de vida e passou a ser conhecedor da Verdade.

A Porta

O Andarilho sonhou conquistar o Reino Celeste e se dirigiu para lá. Os braços estavam mais fortes, pés firmes, cabeça protegida, pensamentos iluminados, coração fervendo de Amor, olhos bem abertos. A Viajante via um novo homem, até o timbre de sua voz soava suave. Um novo Andarilho. Ela riu manejando habilidosamente sua foice e viu um lago reluzir.

— É aqui que fica o velho Andarilho e renasce uma nova criatura que caminha para o Eterno.

Ele viu o lago. Entraram e ela o batizou. Quando imerso, teve uma visão de seu velho eu afundando para o abismo das águas. Emergiu limpo, leve e com a certeza de que havia nascido de novo.

A Viajante se alegrou, mas tratou logo de se despedir:

— De agora em diante siga as pegadas do Mestre do Caminho. – Ela tocou suavemente o ombro dele – Ele agora habita dentro de você e será sua Bússola segura. Esta é a Porta, estreita e escondida aos olhos de muitos, mas você passou por ela. Eu continuo minha Viagem e você trata de seguir a sua, nos encontraremos com Ele. Até logo.

O Andarilho assentiu sorrindo. E não se sentiu só. Ouvia uma voz suave, gentil e educada, passou a reconhecê-la como a de seu Criador, sua Bússola. A voz trazia consigo os mais lindos odores e cores. Ele seguia sem vacilar, alegre por se tornar casa para o Criador de todas as coisas.

O sol brilhou, esquentou o dia. E para surpresa do Andarilho estava cansado, suado e desconfortável. O Caminho da porta estreita era estreito. Tinha algumas pedras e espinhos. Havia uma força gravitacional que o puxava para baixo. Em alguma parte de seu interior queria vislumbrar uma sombra, mas não voltaria. Ele começava a questionar o sentido do sofrimento no Caminho. Ele já queria estar no fim. Segurou sua Bússola mais firme.

Agora tinha um padrão. E era alto. Alcançável somente com a ajuda de quem o fizera. Ele queria mais, se entregaria por completo. Não daria ouvidos à velha vontade do fácil. Viveria o novo todos os dias. Foi então que ouviu uma voz fluindo de dentro como fonte de água que dizia: “Eu compartilho de seus sofrimentos. A estrada que hoje você trilha não é diferente da que trilhei. Siga minhas pisaduras. O final será triunfante.”

Aquelas palavras o fortaleceram e aceleraram o ritmo da caminhada. Seguia firme e paciente com o novo ânimo e disposição. Abriu os lábios numa canção espontânea. A viagem agora estava bela e perfumada.

Ao olhar a margem do caminho observou que no topo dos arbustos havia belos ramos de orquídeas e alguns lírios se abrindo. Era surpreendente. Ele sorriu ante a expectativa do que estava por vir.

As mudanças refletidas em seu interior mudaram o clima e a paisagem ao redor. Todo o calor da aflição, nuvens da dúvida, tempestades do medo e ventanias contrárias cederam lugar à fé. A graça abundava em fachos de luz em seu coração. O Senhor do Caminho supria suas necessidades imediatas e também o contentava. Estava vivendo intensamente cada fase da caminhada. Era grato pelo presente dia.

O Livro

Aproximava-se de uma cidade. Na praça encontrou um homem lendo com avidez. Um livro.

— Que lês?

— O Livro.

Nosso Andarilho continuou com suas interrogações, mas a curiosidade do que aquelas letras diziam continuavam por atraí-lo como por magnetismo.

— Que lês?

— Eu poderia utilizar o resto dos meus dias te explicando cada Palavra aqui escrita. O resto dos meus dias… É com senha que o entendimento vem. Você a tem?

O Leitor continuava enigmático. Mas, o Andarilho certamente precisava do Livro. Os segredos revelados.

— Onde posso comprar.

— Comprar? – O Leitor levantou a cabeça para olhá-lo pela primeira vez. – Nem com todo o dinheiro do mundo você poderá comprá-lo.

O Leitor ria como se o Andarilho tivesse dito algo absurdo. Remexeu em suas coisas e estendeu ao Andarilho o Livro:

— Tome! Este Livro é dado a quem o buscar.

— De graça?

— Sim, amigo. Igual a tudo que o nosso bom Deus nos dá. Mas, não pense por isso que seja vil. Pelo contrário! Troquei tudo que tinha por esta riqueza! Para onde caminha precisará dela: a Palavra de Sabedoria. Agora, vá.

— Não podes me ensinar?

— Sente-se. – O Leitor arrumou espaço ao seu redor. – Ela é o seu Manual. O que não conseguir entender, te será revelado. Basta se aquietar e ouvir a voz que flui em seu interior.

“A minha Bússola!” Lembrou o Andarilho. O Leitor continuava a falar com muitos gestos:

— A Palavra não se contradiz. Leia até sentir penetrando em seu coração e de lá não mais sair.

Num único encontro obtivera o Livro e, mais uma vez, a graça do Criador. Assentado ali perdera a noção das horas, dias talvez. Sua fome, sede, necessidades eram supridas sorvendo a Palavra. Às vezes, ardia como fogo; outras, o refrescava como água. Palavra pura. Ele estava inebriado, atraído cada vez mais.

O Dia da Visitação

A amplidão daquelas palavras o impulsionava a um contato com o Criador. A leitura da Palavra e a prática do diálogo com o Criador eram medidas igualmente proporcionais. Os primeiros raios de luz da graça traziam segurança, confiança e muita alegria. Ele flutuava para além das nuvens. A direção de seu caminho apontava igualmente a dois pontos convergindo dele para o Eterno: para cima e para frente.

Chegou à conclusão de que aquele tesouro escondido pesaria sobre ele: segredos guardados e mistérios desvendados. A vida ficaria melhor se compartilhasse a luz que invadia seu ser.

Entre as surpresas recentes sabia que havia mais. A história do Filho de Deus, que veio do Céu, o tocou profundamente. A missão de caminhar pela terra anunciando o Reino Celeste. Depois, o som de vento e línguas de fogo, um batismo diferente.

Havia um fogo, uma luz, uma voz, que não conseguia mais reter. Palavras perfeitamente inteligíveis em louvor a Deus se tornaram códigos para os demais. À proporção que erguia a voz, o número de curiosos aumentava. Na mesma língua a Palavra ficava marcada permanentemente como ferro incandescente nos corações de quem o ouvia.

O Sonho com o Eterno

Antes do cair da tarde, o Leitor o levou para um local fechado. À entrada havia uma escada para baixo com respingos de chuva. Eles desceram e se depararam com uma janela. “Aquela janela era mesmo pequena e feita com tábuas?” O sábio Leitor abriu a pequena janela e partilhou da grande visão que ela oferecia.

Diferente da cidade – do país! – onde estavam, diferente de tudo que vira, aquele lugar era muito alto. Imponente. Havia grandes palácios de mármores, com cúpulas douradas e arquitetura rica em detalhes. Árvores e ar puro. As pessoas no pátio de um palácio conversavam entre si, pareciam sábios em vestes reais, pequenas quando comparados ao monumento.

Ali era o seu lugar. Virou-se para o Leitor falando:

— É Ela!

— Apenas uma amostra.

O Andarilho se encheu de saudades quando viu o Leitor fechando a pequena janela feita de tábuas.

— Sábio Leitor, meu coração ficou aí.

Eles recomeçaram a subir. O Leitor deu um suspiro e sorrindo falou:

— Como pretende viver de agora em diante sem um órgão de vital importância?

— Este é um pedacinho do Céu na Terra! – O Andarilho estava maravilhado.

— ‘Onde estiver o seu tesouro aí estará seu coração.’ Pelo que vejo seu coração está no Dono dos Céus. Sendo assim um dia vai ficar completo.

— Arrebatado eu espero. Ah, quem me dera asas agora!

— Aguarde! Os séculos serão consumados e Ele prometeu estar conosco durante todo o tempo. Há uma ligação, aí não?

— Eterna.

Epílogo

O Andarilho continua a caminhar por aí aguardando o dia da restauração. E só saberão como viverá no Eterno quem compartilhar de seu trajeto.

P.S.: Um dia desses, eu o vi. Nossos caminhos se cruzaram. E ele me reconheceu como uma caminhante e eu, pasma em vê-lo, decorei cada detalhe seu. Um homem de baixa estatura, magro, pele morena, uma barba rala e grisalha, boné do exército, roupas compridas, um colete impermeável vermelho, alpercatas leves, uma mochila colada às costas, uma vara improvisada de bengala, já beirando a casa dos sessenta e uns anos, mas a alegria de falar do Caminho permanece a mesma. Ele me recomendou glorificar ao Eterno toda vez que alguém me reconhecesse como uma caminhante e também me pediu pra nunca perder a fé em Jesus. Sim, é verdade que os anos passaram para ele, estão voando pra mim, mas a promessa feita por Jesus Cristo – o Caminho, nunca passará. Ele permanece o mesmo sempre, e eu devo cada dia me debruçar em Conhecê-Lo, enquanto enfrento a minha longa jornada.

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