Débora: profetisa, esposa e guerreira

Débora

Essa história, inspirada na Bíblia, é um excerto do livro História dos Hebreus, de Flávio Josefo. Nos revela um pouco da vida de Débora, uma israelita que se destacou na área espiritual, conjugal, ministerial e mostrou toda sua coragem e força indo à guerra.

Os males que caíram sobre os israelitas não os tornaram melhores, e eles voltaram à impiedade para com Deus e ao desprezo de suas leis. Assim, depois de libertos do jugo dos moabitas, foram vencidos e dominados por Jabim, rei dos cananeus. Ele tinha a sua corte na cidade de Hazor, situada sobre o lago de Samachom, e mantinha ordinariamente trezentos mil homens de infantaria, dez mil cavaleiros e três mil carros. Sísera, general do exército, desfrutava grande favor junto dele porque vencera os israelitas em vários combates, e o rei devia principalmente à liderança e ao valor desse homem o fato de tê-los como tributários.

Vinte anos passaram os israelitas em tão dura servidão que não houve mal que não tivessem sofrido. Deus o permitiu para castigar o orgulho e a ingratidão deles. Mas ao fim desse tempo eles reconheceram que o desprezo às santas leis era a causa de toda aquela infelicidade. Dirigiram-se a uma profetisa de nome Débora, que em hebreu significa “abelha”, e pediram-lhe que dissesse a Deus para ter compaixão deles e de seus sofrimentos.

Ela rogou-lhe em seu favor, e a sua oração foi ouvida. Deus prometeu libertá-los sob o comando de Baraque — “relâmpago”, em nossa língua —, que era da tribo de Naftali. Débora, depois desse oráculo, ordenou a Baraque que reunisse dez mil homens e atacasse os inimigos, sendo suficiente esse pequeno número, pois Deus prometia-lhes a vitória. Baraque respondeu-lhe que não podia aceitar o cargo se ela não tomasse, com ele, o comando do exército. Ela, porém, respondeu-lhe encolerizada:

— Não tendes vergonha de ceder a uma mulher a honra que Deus se digna fazer-vos? Eu, porém, não recuso recebê-la.

Reuniram assim dez mil homens e foram acampar no monte Tabor. Sísera, por ordem do rei seu senhor, marchou para combatê-los e acampou próximo deles. Baraque e o resto dos israelitas, espantados com a multidão dos inimigos, intentaram retirar-se e afastar-se quanto possível. Mas Débora os deteve e ordenou-lhes que combatessem naquele mesmo dia sem temer aquele grande exército, porque a vitória dependia de Deus, e deviam confiar no seu auxílio.

Travou-se o combate. Nesse momento, viu-se cair uma forte chuva com granizo. O vento impelia-a com tanta violência contra o rosto dos cananeus que os arqueiros e fundibulários não se podiam servir nem dos arcos nem das fundas, e os que estavam armados mais pesadamente tampouco podiam usar as suas espadas, tão enregelados estavam pelo frio. Os israelitas, ao contrário, tendo a tempestade pelas costas, não eram incomodados por ela e ainda sentiam redobrada a coragem, vendo nela um sinal visível do auxílio divino. Assim, eles venceram e mataram um grande número de inimigos, restando apenas um pequeno número, que pereceu sob as patas dos cavalos e as rodas dos carros de seu próprio exército, o qual fugia em desordem.

Sísera, vendo tudo perdido, desceu do carro e entrou na casa de uma mulher ciniana, de nome Jael, rogando-lhe que o escondesse e pedindo-lhe de beber. Ela deu-lhe leite, de que ele bebeu bastante, porque sentia muita sede. Ele adormeceu, e a mulher, vendo-o em tal estado, fincou-lhe com um martelo um grande prego na fronte. Os soldados de Baraque chegaram, e ela apontou-lhes o morto. Assim, segundo a predição de Débora, a honra dessa grande vitória coube a uma mulher. Baraque marchou em seguida para a cidade de Hazor e derrotou e matou o rei Jabim, que vinha com um exército ao seu encontro. Ele arrasou a cidade e governou o povo de Deus durante quarenta anos.

♯ ♫ ♭ ♪ A canção de Débora e Baraque ♯ ♫ ♭ ♪

♪ Louvem a Deus, o Senhor!
Os israelitas resolveram lutar,
e o povo se apresentou alegremente!
Ouçam, reis!
Prestem atenção, governadores!
Eu tocarei música e cantarei
ao Senhor, o Deus de Israel!

♪ Ó Senhor Deus, quando saíste das montanhas de Seir,
quando vieste da região de Edom,
a terra tremeu, e as chuvas caíram do céu.
Sim, caiu muita água das nuvens.
As montanhas tremeram diante do Senhor, o Deus do monte Sinai,
diante do Senhor, o Deus de Israel.

♪ Nos dias de Sangar, filho de Anate,
nos dias de Jael,
as estradas estavam desertas,
e os viajantes usavam os desvios.
Nas cidades de Israel não havia ninguém;
elas ficaram vazias até que você, Débora, veio,
para ser mãe de Israel.
Os israelitas escolheram novos deuses,
e então houve guerra no país.
E dos quarenta mil homens de Israel
nenhum carregava escudo ou lança!
O meu coração está com os comandantes de Israel,
com o povo que se ofereceu alegremente.
Louvem a Deus, o Senhor!
Falem disso, vocês que montam jumentos brancos,
sentados nas suas selas,
e os que viajam a pé.
Escutem! A multidão barulhenta em volta dos poços
está falando das vitórias do Senhor,
das vitórias do povo de Israel!
Então o povo do Senhor desceu para as suas cidades.

♪ Levante-se, Débora, levante-se!
Levante-se! Cante uma canção! Levante-se!
Marche, Baraque, filho de Abinoão,
e leve presos os que o prenderam!

♪ Então os que tinham fé foram para onde estavam os seus chefes,
e o povo de Deus, o Senhor, pronto para lutar,
foi encontrar-se com Baraque.
Eles saíram de Efraim e foram para o vale,
atrás da tribo de Benjamim e do seu povo.
De Maquir desceram os comandantes,
e de Zebulom vieram os oficiais.
Os chefes de Issacar foram com Débora.
Sim, a tribo de Issacar foi, e Baraque também.
Eles o seguiram até o vale.
Mas a tribo de Rúben estava dividida;
eles discutiram e não foram.
Por que resolveram ficar lá com as ovelhas?
Será que foi para ouvir os pastores chamarem o rebanho?
Sim, a tribo de Rúben estava dividida;
eles discutiram e não foram.
A tribo de Gade ficou a leste do rio Jordão,
e a tribo de Dã, nas pastagens.
A tribo de Aser parou perto do mar
e ficou na beira das praias.
Mas o povo de Zebulom e de Naftali
arriscou a sua vida no campo de batalha.

♪ Os reis vieram e lutaram
em Taanaque, perto do riacho de Megido.
Os reis de Canaã lutaram,
mas não tomaram dos inimigos nenhuma prata.
Até as estrelas lutaram:
enquanto caminhavam pelo céu,
elas lutaram contra Sísera.
Os inimigos foram arrastados por uma enchente do rio Quisom,
o velho rio Quisom.
Eu marcharei, marcharei com firmeza!
Então os cavalos galoparam e galoparam,
socando a terra com os seus cascos.

♪ “Amaldiçoem a cidade de Meroz”,
diz o Anjo do Senhor;
“amaldiçoem, amaldiçoem os seus moradores,
pois eles não vieram ajudar o Senhor,
não vieram como soldados para lutar por ele.”

♪ A mais feliz das mulheres é Jael,
a mulher de Héber, o queneu.
Ela é a mais feliz das mulheres que vivem em barracas.
Sísera pediu água, porém ela lhe deu leite;
trouxe nata para ele numa linda taça.
Pegou a estaca com uma das mãos
e a marreta com a outra.
Deu um golpe em Sísera e esmagou a sua cabeça;
furou e quebrou a sua cabeça em pedaços.
Ele caiu de joelhos,
tombou e ficou estendido a seus pés.
A seus pés ele caiu de joelhos e tombou;
ele caiu morto no chão.

♪ A mãe de Sísera olhou pela janela da sua casa;
olhou bem, pela grade da janela, e disse:
“Por que o seu carro demora tanto para chegar?
Por que os seus cavalos andam tão devagar?”
As suas acompanhantes mais sábias respondiam,
e ela repetia para si mesma:
“Eles devem estar dividindo as coisas que tomaram:
uma ou duas moças para cada soldado,
roupas luxuosas para Sísera
e panos bordados para o pescoço da rainha.”

♪ Assim, ó Senhor Deus, morram todos os teus inimigos,
porém que os teus amigos brilhem
como a forte luz do sol nascente!

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2 comentários

  1. Daniela · fevereiro 4, 2016

    Amei a postagem sobre a rainha esther e xerxes (assuero )muito bom

    Curtido por 1 pessoa

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