Mulheres da Bíblia: Tirza, a filha de Zelofeade (N° 5)

Este conto foi inspirado na bela história escrita em Números 2736Josué 17:3-18; (+Referências: Gn 33:19, 50:24-25; Ex 13:19, Js 18:9, 23, 24:21-32; Jz 1:27-28; Jo 4:5; At 7:16). Esse post é a quinta e última sequência de histórias sobre as filhas de Zelofeade, dessa vez Tirza protagoniza a cena. O primeiro conto foi sobre Macla, o segundo sobre Noa, o terceiro sobre Hogla e o quarto sobre Milca. Boa leitura!

Tirza Zelofeade


O povo de Israel estava com acampamento estabelecido em Gilgal, aguardando a conquista das terras. Tirza, embora estivesse adaptada àquela vida, esperava confiante o dia em que estaria em sua propriedade de direito. Os olhos dela, fixos na estrada, tentavam enxergar a figura do mensageiro do exército israelita em meio à poeira e distância.

Parte da tribo de Manassés já possuía sua herança a leste do Rio Jordão dada por Moisés, ainda assim eles pelejavam junto ao exército de Israel pela conquista de toda a Canaã. Os filhos de José, Efraim e Manassés, formavam duas tribos, porque Israel os havia tomado como filhos seus. Efraim e a outra metade da tribo de Manassés, da qual Macla, Noa, Hogla, Milca e Tirza faziam parte, aguardavam sua porção a ser conquistada. As batalhas prosseguiam sangrentas e longas, mas a vitória sempre era do povo de Deus.

Tirza percebeu a agitação entre os principais de sua tribo. O mensageiro estava chegando com notícias da peleja da terra que caberia por herança à tribo manassita. Ela e a sua família se dirigiram para o portal da tribo, onde uma multidão já se formava para ouvir a notícia.

O mensageiro, em tom alto e forte, anunciou:

— Mais uma vitória!

O grito de celebração do povo foi unânime. O mensageiro pediu silêncio ao povo:

— A terra é muito fértil, entretanto, encontramos dificuldades em conquistar as fortalezas dos cananeus na planície de Jezreel, ao norte, por causa de seus carros de ferro.

Aquela notícia abafou os festejos da multidão. Entretanto, no coração de Tirza a fé a deixava resoluta da vitória completa. Ela sabia que carros de ferro, fortalezas, gigantes não eram páreos para o SENHOR dos Exércitos. É certo que após anos de lutas incansáveis o povo ou o exército poderia tender ao esmorecimento, mas, ela sabia a quem recorrer.

O mensageiro correu ao próximo portal para dar o anúncio às demais tribos e a multidão começou a se dispersar repetindo a nova entre si. Tirza correu à tenda de oração das mulheres, queria ser a primeira a chegar. Cada tarde as mulheres israelitas se reuniam para orar em favor do exército de Israel. Não demorou muito e outras mulheres se juntaram a Tirza, quando Macla chegou, ficou próxima à irmã.

A oração de Tirza era um misto de agradecimentos e súplica. A própria Tirza iniciou a reunião dando uma palavra de esperança:

— Acabamos de ouvir a notícia que esperamos por tanto tempo. Nós estamos mais perto que nunca de nos estabelecermos em nossa própria terra. Não é tempo de desfalecer, vamos intensificar nossas orações e vigilância. Já sabíamos que essa terra fértil estaria habitada por pagãos, gigantes e guerreiros dispostos a defendê-la.

As mulheres estavam ouvindo atentamente, algumas com o cenho franzido de preocupação, outras sedentas por uma palavra de conforto. Tirza continuou:

— O SENHOR sempre deixou claro que Ele mesmo nos daria a vitória. Não seria pela espada de nossos corajosos guerreiros, nem mesmo pela força do braço deles que nossa terra seria conquistada. Mas, sempre o SENHOR, pela mão direita do SENHOR, pelo braço do SENHOR e pela luz do rosto do SENHOR. Tudo para provar o quanto o SENHOR nos ama.

As mulheres mais idosas lacrimejavam, sentindo paz interior nas palavras asseguradas pelo SENHOR e relembradas por Tirza. Umas se abraçaram às outras e começaram a entoar uma canção de louvor a Deus que brotava do fundo do coração. Elas acreditavam no amor de Deus, confiavam na sonhada vitória.

Horas depois os guerreiros manassitas chegaram ao acampamento trazendo consigo os despojos da batalha e os frutos da terra. A chegada deles trouxe grande consolo para as esposas e mães saudosas, os filhos pulavam tamanha a alegria. Eles descreviam com muita empolgação e admiração toda a riqueza em água, fertilidade e beleza da terra que o SENHOR lhes dava.

A mudança estava prestes a começar, não demorou muito e Tirza ouviu o anúncio da partida:

— Povo de Israel, nosso líder Josué convoca a todos para juntos adorarmos ao SENHOR em Siló, local onde a Tenda do Encontro será estabelecida. Lá também serão lançadas as sortes e distribuídas as terras conforme suas divisões perante o SENHOR.

Macla, Noa, Hogla, Milca e Tirza se juntaram e deram as mãos, elas iriam se apresentar a Josué para receberem a herança prometida.

Ao chegar em Siló, o povo se acomodou em suas tendas, em suas respectivas tribos, e a grande festa teve início com muitos louvores, sacrifícios e holocaustos ao SENHOR.

Terminada a celebração, Tirza despertou com o som da trombeta convocando todo o arraial para uma reunião solene. Cada tribo se levantou e se reuniu para ouvir o importante pronunciamento acerca da divisão das terras que Josué faria.

A mensagem proferida por Josué chegava ao ouvido de todo o povo com a ajuda de homens posicionados em lugares estratégicos que repetiam a fala do grande líder.

— Grande é o povo do SENHOR, grande e fértil é a Terra que o SENHOR vos deu. Repartiremos hoje cada tribo em seu lugar.

As cinco irmãs, Macla, Noa, Hogla, Milca e Tirza, estavam juntas novamente, dessa vez acompanhadas por seus maridos e filhos, aguardando a distribuição da herança da tribo de Manassés. Por ordem, as tribos foram citadas até chegar à tribo de Manassés:

— A tribo de Manassés tem sua parte dividida além do Jordão, mas também dentro de Canaã, junto à Efraim.

Nesse momento, as cinco filhas de Zelofeade se aproximaram de Josué e dos príncipes, e Macla, a primogênita das irmãs, se pronunciou:

— O SENHOR ordenou a Moisés que nos desse herança no meio de nossos irmãos, desde que nos casássemos com nossos primos, conforme a ordem do SENHOR assim fizemos. E aqui estamos nós, relembrando aos senhores essa ordem e também requerendo nossa porção.

Os olhos de Josué brilharam, ele – que era da tribo de Efraim, irmão de Manassés – se alegrava sempre que encontrava servos de Deus, obedientes, fiéis e pacientes, como elas.

— Não nos esquecemos. Vocês receberão um quinhão cada uma, no meio da herança dos irmãos de seu pai.

A alegria, contentamento e realização se tornou visível nas feições delas. Entretanto, a casa de José, composta pelos efraimitas e manassitas, trouxeram uma questão à tona: a terra deles não havia sido completamente tomada, havia os cananeus e seus carros de ferro ao norte.

— Josué, vede o quanto Deus nos fez crescer e prosperar. E a herança que nos foi dada não é proporcional à nossa grandeza e riquezas.

Josué tossiu ao rir:

— Se és um grande povo como diz ser, habitem no bosque ao sul, nas montanhas de Efraim, basta que cortem as árvores.

Eles replicaram:

— O bosque nos montes, ao sul, não seria suficiente para nós, e ao norte, na Planície de Jezreel, não podemos habitar devido a resistência dos cananeus, com suas cidades fortificadas e seus carros de ferro.

Josué suspirou e disse:

— Realmente vocês são muitos e tem também uma grande força. Cortem o bosque ao sul, habitem lá. Quanto aos cananeus ao norte vocês conseguirão expulsá-los, ainda que tenham carros de ferros e sejam fortes.

Josué ainda tinha uma lista de outras sete tribos com terras por conquistar:

— Até quando sereis negligentes em possuir toda a terra que o SENHOR vos deu? Vão conquistá-la e me tragam um mapa com a demarcação da terra, depois repartiremos diante do SENHOR as sete partes que faltam!

Os capitães, guerreiros de cada tribo se uniu em só exército, saíram com a benção de Deus e só voltariam com a vitória completa.

Tirza e as demais mulheres de Israel mantinham um ciclo de oração contínuo, elas entendiam que a guerra também era espiritual.

Os cananeus quando viram o grande exército de Israel, acabaram estendendo a bandeira branca, mas não quiseram deixar a terra, assim se tornaram tributários dos israelitas.

O exército seguiu em frente, conquistando toda a terra. A demarcação da terra conquistada foi feita pelos vinte e um homens designados por Josué, três de cada tribo, eles realizaram a devida anotação num livro.

O retorno do vitorioso exército israelita foi comemorado por dias. As mulheres cantavam, dançavam e tocavam seus tamborins. As crianças pulavam festejando. Os despojos os deixaram muito ricos! A terra era fertilíssima! A alegria era completa.

Macla, Noa, Hogla, Milca e Tirza deram as mãos, formando um grande círculo, incluindo seus maridos e filhos, fecharam os olhos para agradecerem juntos a Deus pela conquista:

— SENHOR queremos te agradecer por atender nossa petição… – Foi o que Macla conseguiu dizer, sua garganta embargou com uma enxurrada de lágrimas de gratidão.

— O SENHOR provou que nos ama. E nós queremos te dizer que também te amamos. Agradecemos ao SENHOR, por nos oferecer o teu amor. E te agradecemos pela tua graça em nos fazer aceitáveis diante de ti. – Noa completou com o coração acelerado.

Hogla continuou a oração de agradecimento:

— Somos gratas por abençoar nossos casamentos que foram preparados e escolhidos pelo SENHOR.

— Queremos te agradecer também por dar descendência ao nosso pai. SENHOR, eu te agradeço pelos nossos filhos, pela saúde e força. – Milca abriu os olhos para contemplar cada filho e sobrinhos.

Tirza finalizou a oração:

— SENHOR, nós te agradecemos por nos tirar do Egito, por nos guiar pelo deserto, por nos fazer conquistar e possuir essa terra próspera. O SENHOR é fiel para conosco, e, como somos filhas tuas, queremos ser igualmente fiéis a ti.

Josué despediu todo o povo a seus lugares e possessões. O povo saiu com o coração transbordante de alegria. A terra que as aguardava era muito linda, o verde a perder de vista, os frutos suculentos e saborosos, águas cristalinas, tinham tudo e em fartura.

Quando a primeira estaca da tenda foi fincada, Tirza lembrou-se do significado de seu nome: Aprazível. Deus havia acabado de cumprir o desejo do coração de seu pai, dando a elas uma terra cujo prazer se estenderia por gerações. Tirza continuou seu trabalho com um sorriso no rosto.

Quando toda a terra estava em paz, Josué tornou a convocar os anciãos, líderes e oficiais de Israel, reuniu todo o povo na cidade de Siquém, que pertencia aos filhos de José.

— José, filho de nosso patriarca Israel, sonhou com este dia, confiante na palavra dita por Deus a nosso pai, Abraão, de que daria toda essa terra à sua descendência. Por isso, José fez seus irmãos prometerem que não o deixaria ser enterrado no Egito, mas que seus ossos seriam transportados quando o povo de Israel saísse do Egito, para ser enterrado em Canaã. Após 234* anos da morte de José, os seus ossos finalmente serão enterrados, aqui, na Terra Prometida e Conquistada. Deus tem nos mostrado sua fidelidade ao cumprir Sua Palavra, agora é a vez de vocês mostrarem fidelidade a Deus para que alcancem a Canaã Celestial.

Todo o povo fez uma promessa solene de que seriam fiéis ao SENHOR. E no coração de Macla, Noa, Hogla, Milca e Tirza ardia o desejo de serem herdeiras da Canaã de Deus, e elas não se importavam quanto tempo mais esperariam.

*José morreu por volta do ano de 1606 a. C. e o sepultamento de seus ossos ocorreu por volta de 1372 a. C., totalizando 234 anos de espera.
Referência:
A Bíblia em Ordem Cronológica: Nova Versão Internacional/edição autorizada da obra de Edward Reese (org.); tradutor Judson Canto (títulos e textos explicativos). São Paulo: Editora Vida, 2003.

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2 comentários

  1. Maria Da Graça Bonito · julho 29

    maravilhoso!Inspirador ,tenho que agradecer !OBRIGADA!

    Curtido por 1 pessoa

    • LisLand · julho 29

      😊Muito obrigada, Maria Da Graça! Fico muito feliz que tenha gostado!!! 😍

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