Mulheres da Bíblia: Noa, a filha de Zelofeade (N° 2)

Este conto foi inspirado na bela história escrita em Números 27 e 36. Esse post é a segunda história sobre as filhas de Zelofeade, dessa vez Noa protagoniza a cena. O primeiro conto foi sobre Macla. Boa leitura!

Noa

Noa caminhava para além do acampamento, admirando a paisagem. A terra da conquista a perder de vista. Sua vida havia passado por tantas mudanças. Sua irmã Macla já estava casada com seu primo Esrom. A próxima da lista seria ela. Contudo, não estava ansiosa.

O vento trouxe um burburinho anunciando a chegada de alguém. Ela sorriu e virou-se falando:

— Israim!

Era seu primo Israim, filho de Jezer, ele caminhava ao seu encontro:

— Noa, suas irmãs estão à sua procura, Macla chegou de visita.

— Acho que fui tão longe que estou perto de conquistar as terras vizinhas.

Israim sorriu, desfazendo o vinco entre os sobrolhos. Desde que Zelofeade morrera, ele se sentia ainda mais responsável em protegê-la. Noa tinha o espírito livre e não se preocupava com horários ou em caminhar solitária pelos campos.

Israim lhe respondeu:

— Sei onde te encontrar. Mas, cuidado porque está indo cada vez mais longe. Aqui pode haver…

Noa conhecia tanto a recomendação que já havia decorado, ela começou a falar ao mesmo tempo que ele:

— …‘Aqui pode haver feras e não é bom uma moça tão bonita andar desacompanhada’.

Ele parou e chamou:

— Vamos.

Noa deu uma última olhada para o horizonte distante e voltou em direção ao lar ladeada por ele.

Israim falou de repente:

— Está perto!

Noa estava distraída, levantou os olhos para ver se divisava a sua tenda. Olhou para Israim com uma expressão de interrogação. Ele completou:

— A hora de você se casar.

— Ah…

— Macla já está bem ajustada, você é a próxima.

— Não tenho pressa… Espero que seja algo especial. Talvez… ser conquistada primeiro, ele bem que poderia provar que me ama… E não só casar para cumprir seu dever.

— Hum? Cumprir o dever não deixa de ser nobre, honroso e amável.

Noa parecia reticente.

— Noa, um homem prova que será um bom marido quando ele é responsável, cumpre suas obrigações, se preocupa e protege as pessoas que ama!

— Continue…

— E além de tudo respeita a individualidade e privacidade da esposa.

Noa sorriu. Por um momento desconfiara que seu primo iria pedi-la em casamento. Israim abraçou-a, cobrindo-a com sua túnica. Noa parou de andar, arregalou os olhos e pronunciou num sussurro:

— Israim…

Israim a olhou profundamente, retirou o seu braço lentamente. Ele estava rubro e repentinamente recomeçou a andar sozinho. Noa ficou parada no mesmo lugar por alguns instantes. “Israim e eu, casados?”

Os dias se passaram e Noa não tivera mais contato com Israim. Ela ia e voltava dos campos só. Até que não se conteve mais e perguntou à sua irmã Hogla:

— Você tem notícias de Israim?

— Israim se juntou ao exército, acho que ele está…

Noa interrompeu afoita:

— …À procura de uma esposa.

— Uh?!

Hogla esperou por alguma explicação, mas Noa parecia distante. Desde aquela tarde algo dentro dela realmente despertara. “Então, isso seria amor?” Noa sentia falta de Israim, da sua voz, dos conselhos e tinha sobressaltos toda vez que lembrava de Israim retirando sua túnica de sobre seus ombros com desapontamento no olhar.

Ela interrompeu Hogla mais uma vez:

— O que você acha de Israim e eu?

Hogla arregalou os olhos sorrindo e disse:

— Ah! Finalmente!

— Finalmente o quê?

Noa abriu o coração para a irmã contando detalhadamente toda a aflição que lhe ia na alma. Hogla sorria se divertindo com toda a história:

— Acho que vocês dois formam um belo casal.

— Mas, eu achava que éramos como irmãos, ou amigos.

— Minha querida irmã, ele só estava esperando Macla se casar para lhe propor. E você ficou surpresa quando descobriu que gosta dele para ser seu esposo.

— Como é?

Hogla voltou ao seu trabalho sorrindo.

Noa se levantou pensativa, olhou o horizonte e saiu a andar pelo campo em direção ao horizonte. Os pensamentos a mil. Ela começou a perceber como realmente Israim era importante para ela. Era ele quem estava presente em todos acontecimentos, dos mais importantes aos mais singelos. Sempre ele preocupado com seu estado, saúde, ou qualquer coisa referente a ela. Era ele… Seria ele… “Como será?” Ela agora passou a imaginar como seria a vida dos dois juntos. Sim, combinava. Em contrapartida, toda vez que pensava no destino dos dois separados seu coração apertava como se fosse quebrar. E doía.

Sua vida havia passado por tantas mudanças e talvez fosse o tempo de mais mudanças. Noa estava dourada com o reflexo dos últimos raios de sol. O vento trouxe um burburinho anunciando a chegada de alguém. Ela sorriu e virou-se falando:

— Israim!

Era seu futuro esposo Israim caminhando ao seu encontro. Não era uma visagem. Ele lhe acenou, ela correu e segurou sua mão ainda no ar. Ele a olhou e sussurrou:

— Noa…

— Sim.

Israim desfez o vinco entre os sobrolhos lentamente e comprimiu os lábios num sorriso contido. O sol principiava a se pôr. Mas, no coração de ambos havia uma luz que principiava a irradiar cumplicidade.

Confira nos links abaixo os contos seguintes:

Hogla, a filha de Zelofeade (N° 3)

Milca, a filha de Zelofeade (Nº 4)

Tirza, a filha de Zelofeade (N° 5)

Clique no link para ler os 5 contos em PDF:

As Filhas de Zelofeade – PDF

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5 comentários

  1. Ellen · janeiro 8, 2015

    Lindo! Uma história mais linda que a outra!!

    Curtido por 1 pessoa

  2. Anne Magali · janeiro 9, 2015

    Doce romance! Rs

    Curtido por 1 pessoa

  3. Anne Magali · janeiro 9, 2015

    ♥ amo

    Curtir

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